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	<title>Comentários em: Montaigne</title>
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		<title>Por: Ana Luísa</title>
		<link>http://ruitavares.net/textos/montaigne/comment-page-1/#comment-2938</link>
		<dc:creator>Ana Luísa</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 18:50:32 +0000</pubDate>
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		<description>... Tão bonito...
... Mas triste... com um final triste, como quando um amor se esfuma sem que consigamos compreender porquê...

Também gosto muito de Montaigne, sobretudo da modéstia do seu pensamento, da anarquia do seu método e da jovialidade do seu estilo...

Depois da melancolia inspiradora deste texto, li em férias, pela primeira vez, o &quot;Montaigne&quot; de Stefan Zweig (na tradução francesa da PUF).

Montaigne poderia ter inspirado este autor a, no seu exílio brasileiro, “preservar a incorruptível clareza de espírito perante todas as ameaças e perigos do frenesim sectário”. (p. 23, tradução minha).

Escrevendo num “tempo”, – o do Holocausto - que lhe recordava o contexto histórico de Montaigne, – o da barbárie das guerras religiosas – Stefan Zweig sentiu-se, contudo, incapaz de aplicar a receita montaignesca para manter a sua “humanité du coeur por entre a bestialidade” do nazismo. Em vez de continuar “igual a si próprio”, - era esta a simples panaceia preconizada por Montaigne - ou, noutra interpretação, talvez fazendo-o, acabaria por se suicidar, juntamente com a sua companheira, receando contaminar o mundo com a sua dor e amargura.

Mas haveria outra forma mais simples e, sobretudo, mais benfazeja de suportar os “males do mundo”. Na “Tempestade” -  para a qual eu não sabia que Shakespeare havia pilhado Montaigne - pode encontrar-se outra solução...A vingança de Próspero é o perdão, planície sólida e serena sobre a qual florescerá o amor de Miranda, sua bem-amada filha.

Se quisermos deixar a prosa sonhadora e voltar a assuntos recentes do governo do mundo, basta que relembremos o recente indulto presidencial de Xanana Gusmão aos seus virtuais assassinos e o potencial de reconciliação que encerra.

Senão, podemos sempre buscar, num exercício de longínqua reminiscência, a hora em que contracenámos com Próspero e dele bebemos a sabedoria...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8230; Tão bonito&#8230;<br />
&#8230; Mas triste&#8230; com um final triste, como quando um amor se esfuma sem que consigamos compreender porquê&#8230;</p>
<p>Também gosto muito de Montaigne, sobretudo da modéstia do seu pensamento, da anarquia do seu método e da jovialidade do seu estilo&#8230;</p>
<p>Depois da melancolia inspiradora deste texto, li em férias, pela primeira vez, o &#8220;Montaigne&#8221; de Stefan Zweig (na tradução francesa da PUF).</p>
<p>Montaigne poderia ter inspirado este autor a, no seu exílio brasileiro, “preservar a incorruptível clareza de espírito perante todas as ameaças e perigos do frenesim sectário”. (p. 23, tradução minha).</p>
<p>Escrevendo num “tempo”, – o do Holocausto &#8211; que lhe recordava o contexto histórico de Montaigne, – o da barbárie das guerras religiosas – Stefan Zweig sentiu-se, contudo, incapaz de aplicar a receita montaignesca para manter a sua “humanité du coeur por entre a bestialidade” do nazismo. Em vez de continuar “igual a si próprio”, &#8211; era esta a simples panaceia preconizada por Montaigne &#8211; ou, noutra interpretação, talvez fazendo-o, acabaria por se suicidar, juntamente com a sua companheira, receando contaminar o mundo com a sua dor e amargura.</p>
<p>Mas haveria outra forma mais simples e, sobretudo, mais benfazeja de suportar os “males do mundo”. Na “Tempestade” &#8211;  para a qual eu não sabia que Shakespeare havia pilhado Montaigne &#8211; pode encontrar-se outra solução&#8230;A vingança de Próspero é o perdão, planície sólida e serena sobre a qual florescerá o amor de Miranda, sua bem-amada filha.</p>
<p>Se quisermos deixar a prosa sonhadora e voltar a assuntos recentes do governo do mundo, basta que relembremos o recente indulto presidencial de Xanana Gusmão aos seus virtuais assassinos e o potencial de reconciliação que encerra.</p>
<p>Senão, podemos sempre buscar, num exercício de longínqua reminiscência, a hora em que contracenámos com Próspero e dele bebemos a sabedoria&#8230;</p>
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