Leituras que ficaram do fim-de-semana

Joseph Stiglitz diz que esta crise é a queda do muro de Berlim para o neoliberalismo [carta maior, via esquerda.net]. Já agora, o muro podia cair em cima da expressão “neoliberalismo”: é publicidade enganosa e nunca nunca nunca gostei dela. Por outro lado, ser publicidade enganosa parece adequado, sobretudo quando pensamos nos resultados práticos da doutrina.

Citação dedicada a toda a gente que em Portugal ainda não entendeu isto: “Precisamos, por exemplo, regulamentar os incentivos. Eles têm que ser pagos baseando-se nos resultados de vários anos, e não no de apenas um, porque este último modelo fomenta as apostas. As opções de compra de ações fomentam a adulteração da contabilidade e é preciso frear essa prática. Em resumo, oferecemos incentivos para que se alimentasse um mau comportamento no sistema.”

Daniel Gros [e-economia, via helena garrido] diz que os bancos europeus têm níveis de alavancagem muito superiores ao permitido, que compraram muitos produtos tóxicos, não concorda que o facto de não termos bancos de investimento do tipo americano nos proteja: Acho que é o oposto. Na Europa temos o mesmo tipo de negócios, mas estão integrados nos bancos comerciais. É isso que explica os elevados níveis de alavancagem que observamos.” Se houver azar, teremos de improvisar intrumentos à escala da União para os safar. Não sei se vocês têm grande confiança nos líderes europeus para o conseguirem fazer. Se tiverem essa confiança, parabéns: são mais optimistas do que eu, e olhem que eu sou um optimista patológico diagnosticado.

Katrina vanden Heuvel & Eric Schlosser concluem: a América precisa de um novo New Deal. “The events of the past month have proven, beyond any doubt, that the federal government must actively address America’s great social and economic problems. That necessity was recognized by Franklin Delano Roosevelt during the 1930s — and by his cousin, President Theodore Roosevelt, a generation earlier.” No Wall Street Journal, nem mais nem menos. [Já agora, relinko isto: Roosevelt contra Roosevelt].

Como diria o João Miranda, as minhas ideias erradas acompanham as ideias erradas de muita gente. As ideias certas, por outro lado, estão mais à vontade: andam acompanhadas pelo colapso do sistema financeiro e por ondas de choque prolongadas sobre a vida das pessoas

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