Para que serve a ONU?

UN-INTERFAITH/A minha crónica de ontem no Público é sobre a cada vez menor relevância da ONU — e como contrariar essa tendência.

“Nos anos sessenta, a humanidade confrontou-se com perguntas novas. Como por exemplo: o que fazer quando um astronauta cai do espaço num país que não é o seu?

O lugar óbvio para lhes dar resposta era a Organização das Nações Unidas. Durante anos, uma comissão especializada da ONU foi avaliando este e outros casos até chegar ao Tratado sobre o Espaço Exterior, “incluindo a Lua e outros Corpos Celestiais”. E chegou no tempo certo: no dia em que foi assinado, 27 de janeiro de 1967, ocorreu um acidente na Apolo I em que pela primeira vez morreram três astronautas.

Em terra, a missão mais complicada era a descolonização. De cada vez que um país africano se tornava independente, muitas vezes com apoio norte-americano, dava-se um ricochete: os movimentos negros insistiam com os seus camaradas nos novos países para que estes denunciassem na ONU o estado das questões raciais nos EUA. Malcolm X usou essa tática. Martin Luther King discursou em frente ao seu edifício em Nova Iorque para pressionar o governo do seu país perante as consciências do mundo.

Em resumo: a ONU já foi, em tempos, o parlamento do mundo. E hoje não tem a mesma relevância.”

Leia o resto aqui: http://www.publico.pt/n1744659

Isto não pode ser verdade

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A minha crónica de hoje no Público – Isto não pode ser verdade.

“E aí, mais uma vez, tenho de admitir que fraquejei. Por um lado, a ideia de que Passos Coelho fosse apresentar este livro era uma adição tão absurda à mentira original que escancarava completamente o jogo. Por outro lado, que Passos Coelho fosse apresentar o livro sem o ter lido pareceu-me completamente verídico. Este é o Pedro Passos Coelho que conhecemos. O homem que quis ir “além da troika” antes de conhecer o memorando da mesma. Nem por um minuto eu duvidaria que se Passos Coelho fosse convidado para apresentar um desastre deontológico ele se manteria firme nesse propósito. Nem por um segundo duvido que ele só apresente livros que não leu. É por isso mesmo que o lugar dele não é à frente do governo mas ao lado do arquiteto Saraiva a apresentar livros.

A verdade só se revelou mesmo quando li uma crónica propagandeando no jornal de Saraiva o livro de Saraiva por um autor — João Lemos Esteves — quase tão bom como Saraiva. Aí é que eu percebi que tinha tudo de ser mentira. O título era “A democracia vai nua!” e a seguir ao ponto de exclamação o autor exprimia o desejo de “que José António Saraiva seja eterno” para escrever comentários tão importantes que “não por acaso os diplomatas estrangeiros e os técnicos do FMI lêem regularmente as crónicas de José António Saraiva no Sol”. Os técnicos do FMI — ponto de exclamação!”

Os deploráveis estão entre nós

A minha crónica de hoje no Público, sobre como as pessoas boas não pensam só coisas boas.

“Há um certo desconforto democrático em admitir que uma grande parte do povo possa ter ideias ou sentimentos repugnantes. Ou que uma parte da classe operária (votante em Trump ou no Brexit) possa ser racista. Mas esse desconforto é equivocado e não é democrático. Ser democrata não é achar que a maioria tem sempre razão ou decide sempre da melhor maneira, mas que a maioria tem uma legitimidade política maior para tomar decisões políticas (mas não judiciais ou médicas, por exemplo). Ser de esquerda não é achar que a classe operária está isenta de ter sentimentos racistas. E ser progressista não implica ficar calado quando são os “perdedores da globalização” a dar voz às ideias mais reacionárias.

Temos uma certa dificuldade em admitir que pessoas trabalhadoras e simpáticas possam ser também racistas ou sexistas. Mas se assim fosse nunca certos políticos teriam tantos votos como têm e nunca o apartheid ou a inquisição teriam durado tanto quanto duraram. As pessoas boas não acham só coisas boas.”

O link para leitura completa encontra-se na imagem abaixo.

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Leituras do dia – 13.09

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(Doonesbury – 1999)

1 – PSD desagradado com Juncker: É “espetáculo que não abona” em favor da UE (dn.pt)

“De acordo com uma notícia divulgada no domingo à noite pelo Expresso e Financial Times, Durão Barroso deixará de ser recebido em Bruxelas como ex-presidente da Comissão Europeia, e terá de dar explicações ao executivo europeu sobre a sua relação contratual com a Goldman Sachs Internacional, na qual assumirá funções de presidente não-executivo.”
http://www.dn.pt/…/psd-desagradado-com-juncker-e-espetaculo…

2 – How will history treat David Cameron? (Dominic Sandbrook )

“Cameron will probably score highly for his introduction of gay marriage, and although there are many people who dislike him, polls suggested that most voters regarded him as a competent, cheerful and plausible occupant of the highest office in the land. To put it another way, from the day he entered 10 Downing Street until the moment he left, he always looked prime ministerial. It is true that he left office as a loser, humiliated by the EU referendum, and yet, on the day he departed, the polls had him comfortably ahead of his Labour opposite number. He was, in short, popular. On the other hand, Continuar a ler ‘Leituras do dia – 13.09’

Leituras do dia – 12.09

14225369_858722847561758_3424000793411711342_n1 – José Manuel Barroso to forfeit Brussels red-carpet treatment (Arthur Beesley)

The commission has previously said Mr Barroso’s appointment as non-executive chairman of Goldman’s international operations cannot be challenged under EU conflict-of-interest rules as 18 months has passed since he left his old position.
https://www.ft.com/con…/76a3a722-7839-11e6-97ae-647294649b28

2 – Brexit camp abandons £350m-a-week NHS funding pledge (Toby Helm)

The Remain camp argued all along that it was wrong to claim that the UK sent £350m a week to Brussels as this is the gross figure and does not take account of the large sums of money that come back in EU farm and other subsidies, including structural funds and education and research grants. The idea that so much extra money could be guaranteed for the NHS post-Brexit was also challenged as totally unrealistic.
http://www.theguardian.com/…/brexit-camp-abandons-350-milli…

3 – We Don’t Know What We Are Talking About When We talk about Religion (Nassim Nicholas Taleb)

People rarely mean the same thing when they say “religion”, nor do they realize that they don’t mean the same thing. For early Jews and Muslims, religion was law. Din means law in Hebrew and religion in Arabic. For early Jews, religion was also tribal; for early Muslims, it was universal[i]. For the Romans, religion was social events, rituals, and festivals –the word religio was a counter to superstitio, and while present in the Roman zeitgeist had no equivalent concept in the Greek-Byzantine East[ii]. Law was procedurally and mechanically its own thing, and early Christianity, thanks to Saint Augustine, stayed relatively away from the law, and, later, remembering its foundations, had an uneasy relation with it.
https://medium.com/…/we-dont-know-what-we-are-talking-about…

(Imagem: autor não encontrado)

Praças para o mundo

yamasaki-architectA minha crónica de hoje, sobre os quinze anos do 11 de Setembro de 2001, o esquecido arquiteto das Torres Gémeas, e a era que ele não seria capaz de antever. Escrita a partir de Nova Iorque, onde estarei nos próximos meses como “visiting fellow” do Instituto Remarque de Estudos Europeus da New York University.

***

“Que diria ele ao saber do que aqui aconteceu há quinze anos? Pergunto-me se o conseguiria conceber sequer: o cenário de apocalipse, as pessoas lançando-se para a sua morte. Pergunto-me o que diria ele dos anos que se seguiram, do “choque de civilizações” e da guerra, da islamofobia e do ricochete contra a globalização de que o seu prédio era um emblema tão arrojado quanto ingénuo: o restaurante do 106º andar chamava-se “Janelas para o Mundo” e os dias nacionais eram comemorados na praça como numa ONU do comércio.

São dez e meia da manhã no Memorial do 11 de Setembro. Lá dentro, as famílias das vítimas, Obama e outros dignitários tentam dizer algo de adequado perante a tragédia. Cá fora, teóricos da conspiração distribuem folhetos e conversam com testemunhas de Jeová, turistas tiram fotografias, paroquianos penduram fitas brancas junto à Igreja de São Paulo, o edifício mais antigo de Manhattan. Todos tentamos fazer justiça às vítimas deste dia e dos seguintes, aqui e no resto do mundo. Ninguém consegue.”

Leia mais aqui: Praças para o mundo

À abordagem!

acivbf_sp_caribbean_boardingprovocation_1920x1080tcm1881019581-645x362Hoje a minha crónica é sobre o CDS e a sua abordagem à classe média em nome dos interesses dos ricos e das grandes empresas.

“No próprio dia em que o CDS anunciou a sua cruzada pró-classe média foi apresentada pelo partido uma proposta de um crédito fiscal reforçado a empresas capazes de realizar investimento produtivo de forma a descer a taxa efetiva de IRC destas para os 5,5%. Isto é, menos de metade da taxa ultra-competitiva de 12,5% que a Irlanda aplica às empresas que não têm a sorte de se chamar Apple. Dado o rombo certo no tesouro do estado, fica a questão: quem iria pagar o crédito fiscal reforçado que o CDS quer dar às grandes empresas? Não é difícil adivinhar: a classe média.

E porquê grandes empresas? Dada a formulação da proposta, está bom de ver que ela não se aplica a PMEs, mas que pretende captar empresas com capacidade de gerar bastantes postos de trabalho. O problema é que esses são postos de trabalho caros e sujeitos a uma chantagem permanente de saída casos os descontos nos impostos não se mantenham. Feitas as contas, a Irlanda pagou à Apple cerca de 200 mil euros por cada posto de trabalho, grande parte dos quais no seu call-center europeu (cujos salários não são certamente de 200 mil euros/ano). O CDS acabaria por implementar em Portugal um sistema no qual a classe média-alta pagaria para precarizar a classe média-baixa, ou os pais para precarizar os filhos.”
Leia mais aqui: https://www.publico.pt/politica/noticia/a-abordagem-1743596

Leituras do dia: Brexitânia Revisitada

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Artista: Sandro Botticelli

1 – The Economic Consequences of Leaving the EU: the Final Report of the Cer Commission on Brexit 2016 (John Springford, Simon Tilford, Christian Odendahl, Philip McCann)

“However, EU immigration is good for the public finances, as immigrants pay more in taxes than they receive in public spending. There are some costs that arise from higher demand for housing and public services. But current levels of immigration help Britain to deal with the costs of an ageing population, by replacing retiring workers, and by raising more taxes to pay for health and pension costs. Since hostility to immigration is pushing Britain towards the exit door, it is likely that the UK would restrict immigration from the EU upon exit. This would require Britain to increase taxes or cut spending.”
http://www.cer.org.uk/publications/archive/report/2016/economic-consequences-leaving-eu-final-report-cer-commission-brexit

2 – The man in charge of Brexit has no idea what he’s doing (Ian Dunt)

“But when he went on to answer questions from MPs, he suddenly veered off script. Perhaps he was suffering the emotional incontinence of political victory. Or perhaps he simply does not have the mental agility to stick to an agreed policy. Either way, it was soon clear Davis was going much further than Theresa May’s carefully formulated statements earlier in the week.”
http://www.politics.co.uk/comment-analysis/2016/09/07/it-s-now-clear-david-davis-has-no-idea-what-he-s-doing

3 – Theresa May refuses to reveal her Brexit negotiating hand ‘prematurely’ (dailymail.co.uk)

“The Prime Minister’s official spokeswoman said: Continuar a ler ‘Leituras do dia: Brexitânia Revisitada’

A maldição do ceteris paribus

photoA minha crónica de ontem no Público.

“Um exemplo já clássico é o do debate sobre o euro, ilustrado nos últimos dias por uma (de resto muito interessante) entrevista a Joseph Stiglitz onde este economista defende que “custa mais a Portugal ficar no euro do que sair”. Stiglitz não é só um prémio Nobel; é um dos maiores intelectuais do mundo e tem escrito algumas das melhores coisas sobre desigualdade, globalização ou a crise financeira. Isso não o impede de cair, talvez sem se dar conta, na maldição do ceteris paribus.

Vejamos: Stiglitz não defende na entrevista que Portugal deva também sair da União Europeia ou do mercado único, certo? Isso acontece por uma razão simples: caso Portugal saísse da UE ou do mercado único as contas para a saída do euro mudariam significativamente. Um mero exemplo: Portugal poderia desvalorizar a sua nova moeda mas não teria para onde exportar os seus produtos sem custos tarifários e alfandegários adicionais.”

Leia mais aqui: http://www.publico.pt/n1743373

Leituras do dia 31.08

Imagem: Revolving-Door

1 – Senador do PSB ganha promessa de diretoria no Banco do Nordeste para votar contra Dilma (http://painel.blogfolha.uol.com.br)

“Fica, vai ter cargo O senador Roberto Rocha (PSB-MA) será contemplado com uma diretoria do Banco do Nordeste em troca de voto favorável ao impeachment.”
http://painel.blogfolha.uol.com.br/…/roberto-rocha-psb-ma…/…

2 – Tribunal Europeu condena Portugal por violação da liberdade de expressão (Luciano Alvarez)

“O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou nesta terça-feira o Estado português ao pagamento de uma multa de 30 mil euros, mais perto de nove mil euros para custas, por violação da liberdade de expressão. Em causa está um artigo de opinião do jornalista Filipe Luís publicado na revista Visãoa 7 de Outubro de 2004 que questionava se o então primeiro-ministro Pedro Santana Lopes não tomaria “drogas” duras pelas reiteradas críticas que fazia ao comentador da TVI Marcelo Rebelo de Sousa.”
https://www.publico.pt/…/tribunal-europeu-condena-portugal-…

3 – In Apple case, Europe thinks different (Ryan Heath e Nicholas Hirst)

“Vestager has demonstrated from her first weeks in office the desire to use, creatively if necessary, Continuar a ler ‘Leituras do dia 31.08’