Author Archive for Rui Tavares

Page 2 of 119

Onde se compara Trump com Calígula, e Calígula perde [texto integral]

|Do arquivo Público 05.01.2018| Agora que se aproximam a trote dois mil anos sobre a sua galopante carreira política, certamente que muitos leitores reservam de quando em vez um pensamento em memória de Incitatus, o cavalo preferido do Imperador Calígula. Reza a lenda que, cansado (o imperador, não o cavalo) da classe política de Roma, Calígula decidiu elevar o seu cavalo Incitatus à dignidade de Cônsul, o que obrigaria os senadores a prestarem-lhe homenagem (ao cavalo, e claro que também ao imperador).

Pelo menos assim o contou Suetónio nas suas Vidas dos Doze Césares. Ora, ninguém sabe bem se Calígula chegou mesmo a fazer do cavalo Incitatus cônsul, ou se falava disso apenas para insultar os senadores. Mas a história de Incitatus atravessou séculos como quem nos diz “estes romanos são loucos”.

Continuar a ler ‘Onde se compara Trump com Calígula, e Calígula perde [texto integral]’

Estaremos preparados para uma não-crise? [texto integral]

|Do arquivo Público 03.01.2018| Um dos indícios mais fortes de uma depressão económica é ocorrer uma quebra na produção industrial. E uma das formas mais fáceis de o prever é seguir o Índice dos Gestores de Compras, que nos informa sobre as encomendas e aquisições feitas a cada mês pelas empresas. No início da crise, de 2007 a 2009, este índice caiu para quase metade dos níveis anteriores na zona euro. Pouco tempo depois, estávamos na mais profunda recessão desde 1930.

E em 2018? Saíram ontem os números deste índice. São a primeira boa notícia do ano para a zona euro. São mesmo os melhores números, não só desde 2007, mas desde 1997 — ou seja, desde antes da introdução do euro e desde que estas estatísticas começaram a ser compiladas. Melhor ainda, estes números não ocultam uma qualquer divergência entre as economias da zona euro, como já aconteceu no passado, mas refletem antes um crescimento conjunto das economias de todos os países do euro. A Alemanha, a Áustria e a Irlanda estão com crescimento recorde — mas a Grécia também terá provavelmente o seu melhor ano desde há muito tempo.

Continuar a ler ‘Estaremos preparados para uma não-crise? [texto integral]’

Pode um progressista defender Putin?

“Quando alguém que se reivindica de ideias progressistas defende Putin é porque em geral o faz ao arrepio dessas mesmas ideias. Defende Putin como forma de atacar a hipocrisia das ações de outros líderes políticos, em particular ocidentais, hipocrisia essa que certamente existe e em quantidades apreciáveis. Ou defende Putin porque ele irrita as pessoas “certas”. Ou defende Putin porque pensa que ele serve de contrapeso ao “imperialismo”. São, todas elas, péssimas razões.” – No Público de hoje.

Democracia europeia: cheirar mas não inalar

A crónica de hoje no Público é sobre o chumbo das listas transnacionais (ou pan-europeias, como eu prefiro) no Parlamento Europeu.

“As listas pan-europeias poderiam ser bem ou mal implementadas. O que se viu na oposição nacional às listas pan-europeias não foi, porém, vontade de melhorar a proposta (após o que seria legítimo chumbá-la se ela continuasse a não responder às dúvidas e receios legítimos). Foi apenas a necessidade de manter o monopólio da representação nos partidos nacionais e continuar a esconder que lá em Bruxelas o verdadeiro poder de decisão sobre lugares, programas e políticas está em partidos cujos nomes, siglas e símbolos que a maior parte dos europeus não conhece e jamais alguém teve oportunidade de ver num boletim de voto.”

A crónica de hoje no Público parte de um falhanço nosso como comunidade política organizada: em 2015, uma concidadã nossa, a que deram o nome Maria, foi assassinada pelo marido mais de um mês depois de ter comunicado ao Ministério Público que estava sob ameaça de morte, sem que lhe tenha sido conferido o estatuto de vítima. Para que o combate à violência doméstica passe a ser uma prioridade a sério, com todos os meios e legislação necessários, é preciso que Maria — e, com ela, todas as vítimas de violência doméstica — seja lembrada no Parlamento.

Os partidos-médium e os deputados-fantasma

“Como pode isto ser? Nós, que somos meros mortais, não percebemos. Já os nossos deputados na AR são corpos evanescentes, capazes de serem contados numa sala onde não estão presentes e de nela votarem sem ter votado. Fantasmas, portanto. Os seus partidos são como médiuns numa sessão espírita, capazes de convocar quem não está presente e interpretar para os circunstantes a vontade dos ausentes. E a mesa da Assembleia da República não é como a mesa de nenhum outro parlamento no mundo; é mais assim como uma mesa de pé-de-galo.” – Na minha crónica de hoje no Público.

 

Yin e yang (Leôncio e Emílio). #gatos #cats #wp

via Instagram http://ift.tt/2FTqPQB

A nova desordem mundial [texto integral]

|Do arquivo Público 22.12.2017| Ontem não foi a primeira vez que os EUA votaram isolados na Assembleia Geral das Nações Unidas. Em matéria de conflito israelo-palestiniano, então, os votos isolados ou acompanhados apenas de mais um ou outro aliado foram frequentes no passado. Mas não deixa de causar um certo pasmo ver quem acompanhou os EUA nas Nações Unidas: um conjunto de nove países composto por Guatemala, Honduras, Israel, as Ilhas Marshall, a Micronésia, Nauru, Palau e Togo. E isto depois de muito espernear, ameaças e chantagem emocional por parte da ainda superpotência mundial.

É impossível hoje olhar para os EUA e não ver a profunda crise de credibilidade internacional em que a presidência Trump está a meter o seu país. A grande surpresa é ver que o sistema internacional se tem aguentado relativamente bem sem o paternalismo hegemónico da superpotência americana. Trump anunciou a saída do Acordo de Paris contra as alterações climáticas, o resto do mundo ficou firme. Trump tentou fazer implodir o acordo de não-proliferação nuclear com o Irão, a UE e as restantes potências signatárias responderam que o acordo continuaria em vigor. Isto leva à pergunta: será que uma superpotência isolada é ainda uma superpotência? E caso o não seja, que tipo de sistema internacional estaremos a ver emergir? Continuar a ler ‘A nova desordem mundial [texto integral]’

Onde se compara Trump com Calígula, e Calígula perde

Onde se compara Trump com Calígula, e Calígula perde – A minha crónica de hoje no Público.

Com estimas destas ninguém precisa de estigmas

“No mundo das crónicas, uma pessoa lá tem de se habituar a que de vez em quando sejam distorcidas as suas palavras. Agora substituírem uma palavra por outra e atacarem-me por aquela que escolhi não usar é que confesso nunca ter visto.”

Uma crónica sobre uma coisa estranha que me aconteceu ontem, para ler no Público de hoje.