Author Archive for Rui Tavares

Democracia europeia: cheirar mas não inalar

A crónica de hoje no Público é sobre o chumbo das listas transnacionais (ou pan-europeias, como eu prefiro) no Parlamento Europeu.

“As listas pan-europeias poderiam ser bem ou mal implementadas. O que se viu na oposição nacional às listas pan-europeias não foi, porém, vontade de melhorar a proposta (após o que seria legítimo chumbá-la se ela continuasse a não responder às dúvidas e receios legítimos). Foi apenas a necessidade de manter o monopólio da representação nos partidos nacionais e continuar a esconder que lá em Bruxelas o verdadeiro poder de decisão sobre lugares, programas e políticas está em partidos cujos nomes, siglas e símbolos que a maior parte dos europeus não conhece e jamais alguém teve oportunidade de ver num boletim de voto.”

A crónica de hoje no Público parte de um falhanço nosso como comunidade política organizada: em 2015, uma concidadã nossa, a que deram o nome Maria, foi assassinada pelo marido mais de um mês depois de ter comunicado ao Ministério Público que estava sob ameaça de morte, sem que lhe tenha sido conferido o estatuto de vítima. Para que o combate à violência doméstica passe a ser uma prioridade a sério, com todos os meios e legislação necessários, é preciso que Maria — e, com ela, todas as vítimas de violência doméstica — seja lembrada no Parlamento.

Os partidos-médium e os deputados-fantasma

“Como pode isto ser? Nós, que somos meros mortais, não percebemos. Já os nossos deputados na AR são corpos evanescentes, capazes de serem contados numa sala onde não estão presentes e de nela votarem sem ter votado. Fantasmas, portanto. Os seus partidos são como médiuns numa sessão espírita, capazes de convocar quem não está presente e interpretar para os circunstantes a vontade dos ausentes. E a mesa da Assembleia da República não é como a mesa de nenhum outro parlamento no mundo; é mais assim como uma mesa de pé-de-galo.” – Na minha crónica de hoje no Público.

 

Yin e yang (Leôncio e Emílio). #gatos #cats #wp

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A nova desordem mundial [texto integral]

|Do arquivo Público 22.12.2017| Ontem não foi a primeira vez que os EUA votaram isolados na Assembleia Geral das Nações Unidas. Em matéria de conflito israelo-palestiniano, então, os votos isolados ou acompanhados apenas de mais um ou outro aliado foram frequentes no passado. Mas não deixa de causar um certo pasmo ver quem acompanhou os EUA nas Nações Unidas: um conjunto de nove países composto por Guatemala, Honduras, Israel, as Ilhas Marshall, a Micronésia, Nauru, Palau e Togo. E isto depois de muito espernear, ameaças e chantagem emocional por parte da ainda superpotência mundial.

É impossível hoje olhar para os EUA e não ver a profunda crise de credibilidade internacional em que a presidência Trump está a meter o seu país. A grande surpresa é ver que o sistema internacional se tem aguentado relativamente bem sem o paternalismo hegemónico da superpotência americana. Trump anunciou a saída do Acordo de Paris contra as alterações climáticas, o resto do mundo ficou firme. Trump tentou fazer implodir o acordo de não-proliferação nuclear com o Irão, a UE e as restantes potências signatárias responderam que o acordo continuaria em vigor. Isto leva à pergunta: será que uma superpotência isolada é ainda uma superpotência? E caso o não seja, que tipo de sistema internacional estaremos a ver emergir? Continuar a ler ‘A nova desordem mundial [texto integral]’

Onde se compara Trump com Calígula, e Calígula perde

Onde se compara Trump com Calígula, e Calígula perde – A minha crónica de hoje no Público.

Com estimas destas ninguém precisa de estigmas

“No mundo das crónicas, uma pessoa lá tem de se habituar a que de vez em quando sejam distorcidas as suas palavras. Agora substituírem uma palavra por outra e atacarem-me por aquela que escolhi não usar é que confesso nunca ter visto.”

Uma crónica sobre uma coisa estranha que me aconteceu ontem, para ler no Público de hoje.

A porta para o Inverno. #Lisboa #wp

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O livro mais importante que li este ano [texto integral]

|Do arquivo Público 24.11.2017|  Um dia encontrei esperando por mim um envelope num local onde eu iria ter uma reunião. Destinatário, era eu. Remetente, não constava. Lá dentro, vinha um livro: Contra a Barbárie. Autor, Klaus Mann.

O apelido é conhecido: trata-se do filho do célebre escritor Thomas Mann (e sobrinho de outro romancista importante, Heinrich Mann). Klaus Mann era um jovem jornalista e escritor quando os nazis subiram ao poder na Alemanha, em 1933. Contra a Barbárie é uma recolha de escritos dispersos seus queo desde o início dessa década até à derrota da Alemanha nazi na IIª Guerra Mundial. O que mais impressiona neste livrinho é a clareza moral da revolta de Klaus Mann, não só contra o fascismo mas também contra as ambiguidades da geração mais velha de intelectuais alemães.

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O canto do cisne do falcão da austeridade

(Imagem: Edwin Landseer)

O canto do cisne do falcão da austeridade – No Público de hoje .

“Passos podia estar a discursar num dia 27 de novembro, mas a sua atitude mental estava no 25 de Novembro. Só que mais ninguém o acompanha: para a vastíssima maioria dos portugueses, a governação da geringonça pode ter todos os defeitos e todas as virtudes mas não se assemelha em nada a “uma maioria radical comunista”.