A sua visão do mundo era cruel e sem compaixão. Os civis mereciam tanto morrer como os militares; dizia combater os infiéis, mas matava também muçulmanos. O dia de glória, para ele, chegou quando matou três mil pessoas ao destruir as duas torres em Nova Iorque que tanto haviam impressionado o seu pai e irmãos como obra de engenharia.
Disseram-me uma vez para nunca me esquecer que todas as vítimas têm família — mas também têm família os criminosos, os perpetradores, os cúmplices, os suicidas, os assassinos em série.
Com Osama bin Laden será fácil lembrá-lo. A sua família era invulgar. O homem mais importante era o pai, um imigrante vindo do Iémen, analfabeto e zarolho, chamado Mohammed bin Laden. Chegado à Arábia Saudita quando ainda não havia país com esse nome, Mohammed bin Laden fez todo o tipo de trabalhos menores na cidade de Jedá, até lhe caber uma empreitada no porto da cidade que, parece, chamou a atenção da Casa de Saud. O dinheiro do petróleo fez dos Saud uma dinastia rica e poderosa. Mohammed bin Laden passou a encarregar-se da construção de edifícios modernos, como aeroportos, e a sua empresa tornou-se num vasto empório — o Saudi Bin Laden Group — com escritórios no reino e fora dele.
Mohammed Bin Laden viria a morrer num desastre de avião. Continuar a ler ‘Na morte de Osama’





