Arquivo diario para Julho 30th, 2009

A sangue frio

Pensei que as eleições europeias tivessem bastado para se aprender esta lição: uma campanha eleitoral, por mais acalorados que pareçam estar os seus principais participantes, é um desporto que se destina a ser ganho pelos animais da sangue-frio.

Uma das piadas que prefiro é tão volátil que mesmo quando vista sob a forma original — um cartune que encontrei por acaso há uns anos — nem sempre consegue fazer despertar um breve sorriso. Mas eu afeiçoei-me a essa piada e, apesar de nunca ter tido sucesso, persisto em contá-la, em várias ocasiões e até línguas, sem mímica ou com mímica, tentando ou não descrever o desenho que a acompanhava. Algumas pessoas reagem quando eu a conto, mas é só por pena, ao verem o meu esforço. E é essa piada sem graça, que funciona mal sob desenho e não funciona nunca quando contada oralmente, que eu vou tentar agora reproduzir aqui por escrito. É uma estreia mundial; preparem-se.

A coisa é assim. Um crocodilo está sentado no banco dos réus de um tribunal (sim! um crocodilo no banco dos réus) sem trair qualquer arrependimento ou emoção no rosto, ou focinho. O advogado de acusação ataca-o por um qualquer crime hediondo cometido pelo crocodilo quando é interrompido pelo advogado de defesa, que lança uma objecção. “É claro que foi a sangue-frio, seu idiota!” grita o advogado de defesa, “Não vês que é um réptil?”.

Não é hilariante? Um réptil! A sangue-frio! Ah ah.

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