Arquivo mensal para June, 2009

“O que fez antes do doente morrer?”

A posição convencional em economia e conservadora em política não tem neste momento a mínima confiança em si mesma para aguentar um debate, em igualdade de circunstâncias, sobre como chegámos à crise e como saíremos dela.

Vamos a ver se nos entendemos. José Manuel Fernandes diz que o « Manifesto dos 28 » contra as grandes obras públicas foi recebido de forma insultuosa. Como exemplo, dá à pergunta « Onde tinham estado antes da crise estalar », que eu próprio fiz.

Esta crise é o evento económico mais significativo do pós-guerra, não só em termos de efeitos reais como de debate teórico. Perguntar onde estavam os economistas em relação à crise é um insulto? Nesse caso, perguntar « que fez o médico antes do doente morrer » é também um insulto.

Tudo bem. Posso viver com o opróbrio do insulto. Continuar a ler ‘“O que fez antes do doente morrer?”’

Ay, Honduras

Entretanto, parece ter havido um golpe de estado nas Honduras. Vou tentar entender melhor o que se passa antes de fazer mais comentários. Mas, para já, parece interessante o facto de Obama só reconhecer como presidente Manuel Zelaya (apesar de este ser um aliado de Hugo Chávez e estar interessado em iniciar um processo constituinte no país) e recusar peremptoriamente legitimar o golpe de estado, sem hesitações, desde a primeira hora. Depois dos apoios indisfarçados ou semi-satisfeitos de Bush Jr. a este tipo de golpes, é um sinal de mudança na política latino-americana de Washington.

Um comentário de Henrique Neto

A pouco e pouco, este blogue ainda há-de regressar à regularidade. Esta semana em princípio voltarei a pôr aqui as crónicas do Público. O problema é que entretanto houve várias dessas crónicas que ficaram por blogar, e por vezes houve gente que deixou aqui comentários interessantes a essas crónicas (mais ou menos onde podiam, ou seja, nos posts que estavam visíveis) e que correm o risco de se perder. Um deles é o comentário de Henrique Neto sobre as minhas críticas ao manifesto dos 28. Pela seriedade com que visivelmente foi escrito e pelo interesse do conteúdo aqui fica na íntegra:

Sou leitor regular das crónicas de Rui Tavares e concordo na generalidade com aquilo que escreve. Não é o que acontece com o texto de hoje no Público, “Livres para escolher”. Sou um dos signatários do documento dos 28, mas não sou economista, nem sou de direita e não olhop para a questão das grandes obras públicas numa óptica partidária. Mais, diferentemente de muita gente não falo de cor, estudei os projectos em detalhe e fiz um Parecer sobre o assunto que terei muito gosto em disponibilizar. A razão principal porque não concordo com muitas das obras previstas ´é por serem mais obra pública desligadas de qualquer estratégia integrada de desenvolvimento. Pior, desligadas entre si, planeadas e justificadas de forma avulsa. Por exemplo,para que são precisas mais autoestradas quando em presença dos custos energéticos e ambientais tudo aponta para o transporte ferroviário como o transporte de futuro. Para quê a ligação a Madrid pelo Sul em direcção a Badajoz, servindo apenas o mercado de Leiria a Setúbal, quando a ligação pelo Entroncamento em direcção a Cáceres servia todo o mercado de Vigo a Setúbal? Qual a solução para reduzir a dependência do transporte rodoviário de mercadorias a favor do transporte ferroviário se nós insistimos na bitola ibérica na Linha do Norte e os espanhóis estão a mudar as suas vias para bitola europeia? Para que servem mais pontes rodoviárias de e para Lisboa, em vez de mais transporte público entre as duas margens do Tejo, na medida em que mais carros são mais custos energéticos, mais poluição e mais engarrafamentos? Para quê mais contentores em Alcântara em vez de mais paquetes de turismo, quando sabemos que os grandes navios portacontentores do futuro não poderão entrar em Lisboa, que em qualquer caso Lisboa deverá ser uma capital de serviços e não de infraestruturas pesadas?
Poderia escrever muito mais, mas se tiverem interesse envio o Parecer que fiz e que explica melhor tudo isto. Uma palavra final para dizer que sem estudo dos problemas, no mínimo do ponto de vista do modelo, as opiniões são sempre legítimas, mas frequentemente inúteis.

Cumprimentos

Henrique Neto

Resta agradecer o trabalho de Henrique Neto para escrever este comentário. E quero dizer que, sim, efectivamente gostaria muito de receber toda a informação sobre estes assuntos. Também em breve terei aqui uma caixa de correio permanente para envio de documentação, até para facilitar o trabalho europarlamentar que se avizinha.

Agenda

Este blogue anda pouco atualizado — e nos próximos tempos irá retomar gradualmente a sua atividade normal e até ganhar novo ritmo. Tenho andado a utilizar bastante o twitter para enviar a agenda de eventos em que participo, debates, coisas assim.

Hoje, às 21h00, estarei na “Casa do Futuro” do Museu das Comunicações (ali entre Santos e Cais do Sodré, LX) para comentar o projeto Olisipédia, do atelier de arquitetos Arkhetypos, numa sessão promovida pela Geração de Ideias. Falarão João Jácome, Rita Neves, e eu. Trata-se de um projeto muito interessante de utilizar as georeferências na internet para criar camadas de informação sobre a cidade. Isto pode significar estar numa café e consultar através do computador fotografias daquela rua ou praça em décadas passadas, como pode significar usar o iphone para tirar uma fotografia de um buraco na rua e enviá-la diretamente para os serviços camarários correspondentes. Apareçam que deve ser interessante.

[Este evento apareceu anunciado na imprensa como sendo um debate com António Costa por iniciativa da JS ou do PS. Não é o caso.]

É oficial

Europeias 2009 - Resultados Nacionais
Fonte: Sítio das eleições europeias no Ministério da Justiça. Clique para aumentar a imagem.

Logo que tenha um tempo para respirar, a atividade deste blogue será retomada, e começaremos precisamente por este tema.

Entretanto, um grande obrigado a todos. Vocês sabem de quem eu estou a falar: todos vocês.