An interesting morning
A funny thing happened to me this morning …
No blogue de Paul Krugman. Digam lá que o gajo não tem classe a receber o maior prémio da sua carreira.
An interesting morning
A funny thing happened to me this morning …
No blogue de Paul Krugman. Digam lá que o gajo não tem classe a receber o maior prémio da sua carreira.
A análise de padrões de comércio e de localização da actividade económica tem certamente muito que se lhe diga do ponto de vista técnico, desde que não seja eu a dizê-lo. Mas do ponto de vista do debate público é certamente de louvar que Paul Krugman, o homem que escreveu isto enquanto era tempo…
Paul Krugman, Greenspan and the Bubble, Agosto 2005.
…tenha ganho o Prémio Nobel da Economia 2008.
LR do Blasfémias escreve o seguinte:
«O mundo está literalmente a implodir, mas o Público considera mais importante dedicar a capa e mais 10 (dez!!!) páginas ao casamento entre a maricagem gay.»
É preciso chegar o casamento gay para os liberais do Blasfémias acharem subitamente que afinal o mundo está a implodir. Mas a crise financeira não era natural, ao contrário do casamento gay entre a maricagem?
Durão Barroso apresentou a sua ida para a presidência da Comissão Europeia como uma honra de Portugal — e até chegou a sugerir que isso compensava a posição que o seu governo teve durante a Guerra do Iraque. Convinha então, para não desonrar o nosso país, que nos desse o prazer patriótico de se ser o líder de que a Europa precisa. Mas Durão nunca o conseguiu ser e muito menos está a conseguir ser esse líder agora, quando a Europa está numa crise profunda.
Mas há mais: não só Durão Barroso é uma exportação de incompetência, como parece que perde o seu tempo em guerrinhas vingativas contra jornalistas. O jornalista Jean Quatremer, do Liberation, perdeu a paciência e descreve aqui como tem sido a sua relação com o gabinete de Durão Barroso nos últimos quatro anos. Em poucas palavras, Quatremer (um dos melhores jornalistas de temas europeus e autor de um dos blogues políticos mais lidos em língua francesa) escreveu um artigo que desagradou a Durão Barroso, e foi metido numa informal mas eficaz lista negra de jornalistas indesejáveis. Mas vale a pena ler a história completa. A mesquinhez de Durão não surpreende, mas envergonha que se tenha internacionalizado.
Um excerto:
«Ce boycott peut aller très loin. Le 8 février dernier, Barroso a donné une conférence de presse publique, où étaient présents une vingtaine de journalistes, pour féliciter la France d’avoir ratifié le traité de Lisbonne. La porte-parole adjointe, Leonor Ribeiro da Silva, une Portugaise qu’il a amenée avec lui de Lisbonne, est chargée de donner la parole. Je suis au premier rang et lève immédiatement la main. Systématiquement, elle m’ignore – je suis devant elle — et désigne des journalistes slovène, tchèque, polonais, britannique, etc., évidemment plus impliqués qu’un journaliste français. Il a fallu que je hurle : « est-il normal que l’on me refuse la parole ? » pour que Barroso, gêné, m’autorise enfin à poser ma question…
Sendo adultos e solteiros, quem não pode casar em Portugal?
Pessoas em coma, com deficiência mental profunda — e homossexuais. Os homossexuais já não são considerados criminosos nem doentes mentais. Podem ser ministros, primeiro-ministros, presidentes e chefes de empresas, decidir da vida de milhares de pessoas. Mas não podem tomar uma decisão sobre a sua própria vida. Não podem casar.
Quem votou para mudar isto? PCP, BE, Os Verdes, Manuel Alegre (que desobedeceu ao seu partido), Paulo Pereira Coelho do PSD (a quem fora permitida a liberdade de voto) e Pedro Nuno Santos da JS (em liberdade condicional).
O resto é conversa: não me atirem poeira para os olhos com declarações de votos e defesas “intransigentes” dos direitos dos cidadãos.
…antes que o post desapareça para os arquivos, está em curso uma discussão interessante nos comentários ali em baixo em “Um amor como o nosso”. Mete tecnologia, o fim do mundo, malthusianismo, e mais opiniões dos comentadores João Vasco, Lidador, Miguel Madeira, Jaime Taveira, entre outros.
Além das crónicas para o Público, escrevo também uma crónica de duas páginas sobre um tema não-musical para a revista de música Blitz. Antes da mudança de sexo (não minha), quando a Blitz era o Blitz, um jornal macho e hebdomadário, eu usava o dinheiro destinado ao almoço na cantina da escola secundária para comprar o exemplar daquela terça-feira. Resumo: tenho muito orgulho em escrever para a Blitz uma coluna chamada “Svengali”, sempre mais informe e incerta e incausada que a do Público. É o que estou a fazer neste preciso momento e eis os primeiros parágrafos que saíram:
Um dos aspectos mais intrigantes da crise actual é o da incompreensibilidade de certos produtos financeiros. Incompreensibilidade relativa, claro. Certas pessoas, entre as quais se incluem donos de bancos e maioria da população, simplesmente não entendiam o que estes produtos eram. Outras pessoas, entre as quais se incluem alguns Prémios Nobel da Economia, entendiam o que eles eram mas não como funcionava a mecânica interna desses produtos. Outras pessoas ainda, entre as quais se incluíam os gestores que trabalhavam com esses produtos (e alguns que eu conheço), entendiam a mecânica interna mas não entendiam aspectos essenciais da mecânica “externa”, — em particular a toxicidade dos produtos. Outras pessoas ainda poderiam entender tudo isto mas tinham incentivos para que o resto da população não entendesse.
Há mais categorias ainda (por exemplo: pessoas que entendiam os produtos, desejavam fazer alguma coisa, e tinham incentivos para disseminar conhecimento — puxar o alarme, em certo sentido — e que até o fizeram). Esta linha de raciocínio leva-nos a um panorama da incompreensibilidade que é em si já tem uma complexidade notável.
Parte desta complexidade é manufacturada. Outra parte é natural. Não oferece dúvidas que era do interesse de muitos actores manter a opacidade do sistema: em relação aos poderes políticos, em relação aos cidadãos, em relação aos próprios accionistas. Era do interesse desses actores que os produtos fossem complexos, intencionalmente complexos, e que parecessem mais complexos até do que eram. Isso justificava, entre outras coisas, altos salários. E mantinha a confiança no carrossel para mais uma voltinha, até ao dia em que o carrossel rebentasse.
Para ler o resto vai ser preciso esperar até ao fim do mês e comprar a Blitz.
Ao votar contra, o PS não garante apenas que o casamento “homossexual” seja chumbado. Garante que este venha a ser um tema prolongado, tal como foi o aborto durante dez anos.
A minha última crónica poderia resumir-se assim: quando falamos da igualdade de acesso ao casamento civil não estamos perante os “direitos dos homossexuais”. Estamos perante uma coisa diferente: direitos dos cidadãos, que têm sido vergonhosamente negados aos homossexuais. A questão de princípio, para mim, está toda aqui.
Escrevi essa crónica sem mencionar a palavra “partidos”. Hoje falaremos de táctica partidária e, em particular, de como o PS se prepara para cometer um grande disparate ao obrigar os seus deputados à disciplina de voto contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Sim, eu sei: este assunto não estava no programa eleitoral do PS. Continuar a ler ‘À beira de um disparate’