Arquivo mensal para September, 2008

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Até ao fim

Yep
Washington Post de hoje.

Não confiem em nós! Confiem nas regulações!

Yep
Publicidade da AIG no Washington Post de hoje.

Acertar no totobola à segunda-feira

«As autoridades europeias, belgas e holandesas estão em conversações para encontrar uma solução para o Fortis, banco parceiro do BCP nos seguros em Portugal que está a passar uma difícil situação, numa altura em que as negociações para uma aquisição parecem mais remotas… O jornal De Tijd noticiou que uma “nacionalização temporária” do Fortis parece cada vez mais provável, dado que as negociações para encontrar um comprador para o banco não estão a correr bem.»

Um anúncio bem feito

Consultório sentimental

Perguntas de Luís M. Jorge, Z. Alves da Costa e Rodrigo Adão da Fonseca.

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Leituras que ficaram do fim-de-semana

Joseph Stiglitz diz que esta crise é a queda do muro de Berlim para o neoliberalismo [carta maior, via esquerda.net]. Já agora, o muro podia cair em cima da expressão “neoliberalismo”: é publicidade enganosa e nunca nunca nunca gostei dela. Por outro lado, ser publicidade enganosa parece adequado, sobretudo quando pensamos nos resultados práticos da doutrina.

Citação dedicada a toda a gente que em Portugal ainda não entendeu isto: “Precisamos, por exemplo, regulamentar os incentivos. Eles têm que ser pagos baseando-se nos resultados de vários anos, e não no de apenas um, porque este último modelo fomenta as apostas. As opções de compra de ações fomentam a adulteração da contabilidade e é preciso frear essa prática. Em resumo, oferecemos incentivos para que se alimentasse um mau comportamento no sistema.”

Daniel Gros [e-economia, via helena garrido] diz que os bancos europeus têm níveis de alavancagem muito superiores ao permitido, que compraram muitos produtos tóxicos, não concorda que o facto de não termos bancos de investimento do tipo americano nos proteja: Acho que é o oposto. Na Europa temos o mesmo tipo de negócios, mas estão integrados nos bancos comerciais. É isso que explica os elevados níveis de alavancagem que observamos.” Se houver azar, teremos de improvisar intrumentos à escala da União para os safar. Não sei se vocês têm grande confiança nos líderes europeus para o conseguirem fazer. Se tiverem essa confiança, parabéns: são mais optimistas do que eu, e olhem que eu sou um optimista patológico diagnosticado.

Katrina vanden Heuvel & Eric Schlosser concluem: a América precisa de um novo New Deal. “The events of the past month have proven, beyond any doubt, that the federal government must actively address America’s great social and economic problems. That necessity was recognized by Franklin Delano Roosevelt during the 1930s — and by his cousin, President Theodore Roosevelt, a generation earlier.” No Wall Street Journal, nem mais nem menos. [Já agora, relinko isto: Roosevelt contra Roosevelt].

Como diria o João Miranda, as minhas ideias erradas acompanham as ideias erradas de muita gente. As ideias certas, por outro lado, estão mais à vontade: andam acompanhadas pelo colapso do sistema financeiro e por ondas de choque prolongadas sobre a vida das pessoas

Nem a minha mãe me liga tanto

Já deu para ver que os bravos conservadores-liberais d’O Insurgente não saem ao fim-de-semana para beber copos e andar atrás de raparigas (ou mesmo rapazes). Em vez disso, sentam-se em frente ao computador e obcecam-se comigo [1, 2]. De facto, quando acreditamos que a crise financeira não é grave (entre começar e acabar esta frase vi na BBC que teve de ser nacionalizado mais um banco) não há nada de mais importante em que pensar.

Da teoria à prática

Ontem um amigo levantava dinheiro num multibanco. Gotas de água pingavam do ar condicionado para a cabeça dele. Era a “trickle down economics” em funcionamento.

Dos comentários

O leitor Justiniano faz considerações interessantes aqui:

«O problema para mim resulta é o seguinte.
Há alguma esquerda que regozija com este problema por ser visto, por eles, como a consequencia lógica do liberalismo económico.
Há uma outra esquerda que, não querendo afundar o liberalismo económico, refere ser o evento o ocaso da desregulação do mercado e a derrota do “neo-liberalismo”.
Há a direita ortodoxa liberal que tem um sentimento misto, era quem maioritariamente lançava avisos de que “o desastre estava à espera de acontecer” e que os fundamentais da economia estavam a ser subvertidos. A democratização do crédito atiçava, em crescendo, a gula irresponsável dos trabalhadores e consumidores. A dierita ortodoxa é fiduciária o suficiente para saber os riscos que se estavam a correr e não aprecia minimamente estes riscos. Esta direita não vive atormentada pela exigencia do crescimento económico, nem vê necessário adequar os fundamentais da economia ao serviço de políticas expansionistas.
A direita “neo-liberal”, aquela que acha que consegue fazer a ponte entre a democracia económica e o mercado, a tal que é criativa o suficiente para criar estes mecanismos de oferta e que joga no limite da racionalidade económica, parece ser aquela que hoje sofre o constrangimento da derrota, pois foi também aquela a quem se atribui o crescimento económico das duas últimas décadas.
Ou seja o meu ponto é o seguinte, à consideração do R Tavares.
Sendo que nos propósitos finalisticos da economia a esquerda progressista, amiga do crescimento económico baseado no crescimento do mercado se identifica mais com a direita “neo-liberal” doque se identifica com a esquerda “contra economia de mercado” ou com a direita ortodoxa, como pode esta, de certo modo, regozijar com a falencia dos instrumentos financeiros que possibilitaram o momento da história da humanidade em que um maior número de pessoas teve acesso a bens que são instrumento de realização máxima de dignidade da pessoa humana e satisfazem necessidades de conforto sem igual na história da humanidade (habitação, consumo de conforto…automóvel, comunicaçoes…).
Parece-me corresponder mais à ideia de “cuspir no prato onde comeu”.
Eu compreendo que a inimizade, que desune socialistas democráticos e “neo-liberais”, é forte mas daí a abandonar a defesa do modelo aos “neo-liberais” acantonados, parece-me ser cruel com a história.
Lula da Silva regozija com a falencia dos mercados que nos últimos 20 anos levaram ao Brasil capital suficiente para transformá-lo no maior produtor alimentar mundial e consequentemente retirar da pobreza milhões de Brasileiros.
Lula não deixou de manter a liberdade dos mercados funcionarem e importar capital para financiar projectos produtivos que de outro modo estariam ainda por realizar (não obstante manter controlo sobre a exportação de capitais – o Brasil não é uma economia aberta).
Do mesmo modo o R Tavares advoga a política de expansão do crédito para o imobiliário vetuzto das nossas cidades, sabendo ou não, que somos um País deficitário em termos de capital (o nosso déficit comercial é de cerca de 10% do PIB), ou seja que teriamos de importar mais capital, como temos feito, para financiar o imobiliário e deste modo espor os Bancos Portugueses à dívida muito para além da capacidade da economia Nacional.
O que sobra!?
Sobram os ortodoxos que avisavam para “o acidente à espera de acontecer”, os conservadores proteccionistas, a Esquerda anti mercado e sobretudo sobram a esquerda progressista, isto pressupondo a derrota dos “neo-liberais”.
Qual a resposta dos democratas progressistas não querendo repetir as mesmas receitas!?»

Romanceado por romanceado…

Vejo que o João Galamba e o Daniel Oliveira ironizam com o Rodrigo Adão da Fonseca por este, auto-impedido de comprar o Público nos dias em que a minha crónica é publicada, acabar por na primeira viagem de comboio encontrar anónimos — que primeiro são anónimos faladores e possuidores de uma “gargalhada alarve” mas numa segunda recordação se transformam afinal em sábios com “uma vida inteira dedicada aos mercados financeiros, de prestígio intocável” — cujos argumentos de autoridade a serem desenvolvidos (não chegam a sê-lo) arrasariam os meus textos, poupando-lhe o trabalho de ler a crónica mas mesmo assim possibilitando a escrita de uma posta — “embora obviamente romanceada” — contra a crónica. Quando ando de comboio também me acontece imensas vezes encontrar alguém que praticamente me escreve as crónicas inteiras, arrasando brilhantemente os argumentos dos meus adversários em livros, revistas e jornais que assim nem tive de comprar ou sequer ler. Só não costumo divulgar essas conversas porque normalmente ocorrem com mulheres lindíssimas que, além de me apresentarem os seus prémios nobel como garantia de que sabem do que estão a falar, invariavelmente acabam por me convidar a subir aos seus apartamentos para beber martinis. Depois na manhã seguinte nunca me lembro de tudo o que me disseram e acabo por ter de escrever a crónica sozinho. Seria embaraçoso contar todas estas coisas.