Arquivo mensal para September, 2008

Recortes do dia

É clicar para aumentar.

 

Yep
Financial Times de hoje.

O panorama é duvidoso, mas seria simpático que alguém tivesse tido juízo no meio desta história toda. E para nós, seria uma sorte. Se fosse verdade.

 

Yep
Idem.

A notícia de canto de página interior de hoje pode ser a de primeira página amanhã.

 

Yep
Ibidem.

Uma visão do lado oposto. Atenção ao destaque sobre a língua e a lei.

Yep
Tribidem.

Há globalizações mais irreversíveis o que outras.

Aí está uma estatística que eu gostaria de ver

A propósito do post anterior, já alguém se lembrou de comparar a taxa de criminalidade dos imigrantes com a dos dirigentes do PNR?

Iconologia do nacional-fanfarronismo

Via arrastão:

«O PNR colocou hoje um novo outdoor contra os suspeitos do costume: os estrangeiros. Curiosamente, foram copiar um cartaz de um partido suiço.»

O PNR junta a falta de originalidade à falta de credibilidade política de um partido mais do que manchado por ligações antigas, e suspeitas de ligações recentes, à violência e ao mundo do crime. Já agora, vale a pena notar os seguintes aspectos formais: enquanto o racistazeco suiço precisa de dois acompanhantes passivos que o vejam expulsar o imigrante negro (apenas um), o racistazão português imagina-se inteiramente sozinho a expulsar as hordas de imigrantes (mais uma vez, negros, meia-dúzia deles) que nos servem o café, constroem os prédios, cuidam dos idosos nos lares e (às vezes) tornam tudo isto um pouco menos pesado.

 

Adenda: é evidente que o dito cartaz é uma incitação ao racismo e à violência. Mas isto neste país não deve preocupar ninguém, o que é realmente grave é o politicamente correcto, o feminismo e outras coisas assim que estão fartas de provocar vítimas.

O cenário bastante mau e o cenário bastante péssimo

Diz Tyler Cowen do Marginal Revolution:

«The best case scenario: The bad banks continue to be bought up, there is no run on hedge funds next Tuesday, only mid-sized European banks fail, money market funds keep on buying commercial paper, and the Fed and Treasury continue to operate on a case-by-case basis.  Since Congress doesn’t have to vote for something called “a bailout,” it can give Paulson and Bernanke more operational freedom than they would have otherwise had.  The American economy is in recession for two years and unemployment does not rise above eight or nine percent.

The worst case scenario: Credit markets freeze up within the next week and many businesses cannot meet their payrolls.  Margin calls cannot be met and the NYSE shuts down for a week.  Hardly anyone can get a mortgage so most home prices end up undefined rather than low.  There is an emergency de facto nationalization of banks to keep the payments system moving.  The Paulson plan is seen as a lost paradise.  There is no one to buy up the busted hedge funds, so government and the taxpayer end up holding the bag.  The quasi-nationalized banks are asked to serve political ends and it proves hard to recapitalize them in private hands.  In the very worst case scenario, the Chinese bubble bursts too.

I still think some version of the best case scenario is more plausible, but I wish I could tell you I am sure. »

Dissecando a história política de um anúncio

Untitled-1 @ 38,7% (RGB/8)
Anúncio da American Bankers’ Association no Washington Post de ontem. Clique para aumentar.

Luz sobre Lisboa

A notícia de que a Câmara Municipal de Lisboa andou, durante sucessivas vereações, a distribuir casas de forma arbitrária, ao serviço da cunha e do episódio individual, é evidentemente um escândalo político. É até mais do que isso.

Segundo o UrbanAudit, serviço da UE, Lisboa é a cidade média/grande mais desvitalizada de toda a Europa a 27. Não há notícia, em toda essa Europa, de um parque habitacional tão fragmentado — excepto em pequenas cidades romenas que perderam a indústria mineira. Lisboa perdeu, em trinta anos, trinta por cento da população. Para os leitores do resto do país que podem estar fartos de ouvir falar da capital, pensem nisto como um caso extremo dos problemas que podem afligir também as vossas cidades.

Continuar a ler ‘Luz sobre Lisboa’

Centenário

Em comemoração dos cem anos da morte de Machado de Assis, a entrevista que fiz ao escritor em dezembro de 2004, nos tempos do Barnabé e do governo Pedro Santana Lopes.



Que lindo serviço

Dados económicos, entre a chegada de George W. Bush à Casa Branca e o dia de hoje. Tirados daqui.

Dow Jones January 19, 2001: 10,587.59
Dow Jones September 29, 2008: 10,365.45

NASDAQ Jan 19, 2001 = 2770.38
NASDAQ September 29, 2008 = 1983.73

Dollar exchange with Euro, January 19, 2001: 1.068
Dollar exchange with Euro, September 29, 2008: .695

Vai ser bonito

Câmara dos Representantes recusa o pacote de auxílio a Wall Street.

Antes da notícia, as bolsas estavam assim:

iPhoto
[O gráfico em baixo é anual, praticamente desde o início da crise.]

E ao fim do dia ficaram assim:

iPhoto
[Aqui estão só as variações do dia em Wall Street. Maior queda em pontos de sempre do índice Dow Jones.]

Por outro lado, James Kenneth Galbraith escreveu hoje que o pacote seria desnecessário e ineficaz, e propondo um plano de recuperação da economia para os próximos anos. Vale a pena ler. O próximo presidente dos EUA é que vai apanhar o pior desta crise.

A imprevisível intoxicação aconteceu mais uma vez depois de se comer ovos com salmonelas. Quem diria?

O João Miranda está surpreendido com os riscos dos bancos europeus. É natural: ainda a semana passada ele defendia a tese do “empirismo ingénuo”. E os “empiristas ingénuos” diziam:

«…isto não se limita aos EUA. A cultura de passar os riscos para o público foi comum e partilhada por governos de direita e de esquerda, americanos e europeus. O mesmo Nouriel Roubini que passámos a ter de escutar com atenção nesta crise escreve no Financial Times que os bancos europeus estão em risco por terem comprado muitos dos “produtos tóxicos” financeiros que estiveram na origem disto tudo. Os economistas Daniel Gros e Stefano Micossi avisam que se os bancos americanos eram demasiado grandes para os deixarmos falhar, os bancos europeus são demasiado grandes para os conseguirmos salvar país a país.»