[Público 06 junho 2007]
A ideia era substituir a Guerra Fria por outra Guerra Fria, porque só nesse ambiente aquelas mentes visionárias se sentiam bem. Os resultados têm sido menos reconfortantes.
O homem que foi ontem condenado a 30 meses de prisão já foi um alto funcionário da Administração Bush. Era o antigo chefe de gabinete de Dick Cheney, vice-presidente dos EUA, e foi considerado culpado de quatro crimes: obstrução à justiça, falso testemunho e dois perjúrios, ou seja, mentiras perante o tribunal. O preço que pagou pelas suas falsidades e omissões parece caro, mas foi o próprio que o preferiu ao preço do crime que ajudou a encobrir – revelar a identidade de uma agente secreta americana, um crime grave nos EUA, por se considerar que tal acto coloca em risco a vida da própria, dos seus próximos e dos seus contactos. Mesquinhas parecem ser as razões que levaram a que esses riscos fossem corridos: difamar um embaixador americano, marido dessa agente secreta, que refutara em público um dos pretextos que Bush alegara para invadir o Iraque.
O homem que foi ontem condenado é mais conhecido pela alcunha: Scooter Libby, em vez de I. Lewis Libby. Aliás, poucos sabem que significa a inicial do seu primeiro nome. Irving? Irv?
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