[do Público de 18 de novembro 2006]
Durão Barroso tem sido o palhaço rico desta dupla desde nem se sabe quando. Dos tempos da faculdade, talvez? No governo de Cavaco, Santana Lopes era o secretário de estado estouvado e Durão Barroso o secretário de estado atiladinho.
Portugal precisa de Pedro Santana Lopes. Não como primeiro-ministro nem líder da oposição, não como autarca nem presidente de clube recreativo. Precisa de Santana Lopes como artista de variedades. Num café da baixa, às primeiras imagens de uma nova entrevista sua, os olhos abandonaram por momentos os tristes copos de cerveja e o empregado de avental correu a subir o volume do aparelho de televisão: “deixa ouvir o gajo, pá!”. E os clientes ali ficaram, suspensos do desempenho daquele velho conhecido, recordando incrédulos os meses em que ele foi primeiro-ministro, pontuando aqui e ali com um gargalhada. O “gajo” é uma diversão: nos seus lamentos sobre as interpretações maldosas da sesta e da ModaLisboa, nos voos rasantes sobre a ingratidão dos que lhe sucederam, nas exortações aos portugueses: “só peço aos portugueses que leiam o meu livro”. Santana Lopes sente-se espoliado; por vezes refere-se aos cargos que teve como “o lugar que era meu” — Marques Mendes ficou com “o lugar que era meu no PPD/PSD”, Carmona Rodrigues na Câmara de Lisboa, José Sócrates no Governo. Como uma vedette que já viu melhores dias, agarra-se aos sucessos do passado, o tempo em que se dizia que era imbatível em eleições: “ganhei em Lisboa contra tudo e contra todos”, “fui a votos sozinho na Figueira”. Lisboa, Figueira da Foz, os congressos do PPD/PSD. Parece a lista de salas de espectáculos onde o grande Santana apresentou o seu número de triplo salto mortal sem rede política. “Não o deixem sozinho, que ele vai para a floresta estilo Rambo”, diz de si mesmo, como quem decorou uma crítica dos tempos em que era cabeça de cartaz.





