[Prelúdio: no meu trabalho das segundas-feiras, que é ser editor do 5dias tinha-me proposto como TPC traduzir este texto. Hoje descubro que num gesto generoso o Ivan Nunes já o fez para o mesmo 5dias. Como não é todos os dias que alguém nos poupa trabalho, mando daqui os meus agradecimentos ao Ivan, e aproveito para recomendar ainda os comentários que ele faz ao texto de Dahrendorf, um liberal que não se deixou levar pela “Guerra ao Terror”.]
O 11/9 e o novo autoritarismo, por Ralf Dahrendorf
Cinco anos depois dos ataques às Torres Gémeas em Nova Iorque e ao Pentágono em Washington, o 11/9 já não é uma simples data. Entrou nos livros de história como o começo de alguma coisa nova, talvez de uma nova era, ou pelo menos de um tempo de mudança. Os atentados terroristas em Madrid, Londres e outros lugares também serão lembrados; mas o 11/9 é a data que ficará como símbolo, quase da mesma forma que Agosto de 1914.
Mas o que começou a 11 de Setembro de 2001 foi realmente uma guerra? Nem todos se contentam com esta definição americana. No auge do terrorismo irlandês no Reino Unido, sucessivos governos britânicos fizeram tudo o que podiam para não conceder ao IRA a ideia de que se estava a travar uma guerra. «Guerra» teria significado aceitar os terroristas como inimigos legítimos, em certo sentido como iguais numa luta sangrenta para a qual se aceitam certas regras.
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