[do Público de 29 de Julho]
Estar preso à obrigação da demonstração de força é a pior forma de fraqueza. Provocações ilegítimas há sempre; mas o que chamaria o leitor a um indivíduo que respondesse sempre violentamente a tudo? Forte ou fraco?
Israel tem um quarto do tamanho de Portugal e cerca de três quartos da sua população: sete milhões contra dez milhões. Apesar de uma tradição intelectual portuguesa, de António Vieira a Fernando Pessoa, ver grande identidade entre a “alma” portuguesa e a do povo judeu, as semelhanças entre o nosso país e o único estado judeu do mundo são hoje poucas: Portugal é o país onde toda a gente acha que nunca se consegue nada, Israel um jovem estado onde se acredita que tudo é possível.
O Líbano tem pouco mais de um décimo do tamanho de Portugal, mas nesse território vivem quatro milhões de pessoas. É um país multi-étnico, multi-religioso — dezassete comunidades étnicas e religiosas diferentes — e democrático. No ano passado, depois da “Revolução dos Cedros”, o Líbano foi louvado como exemplo de normalização. George W. Bush apresentou o Líbano como a melhor prova da teoria dos dominós democráticos no Médio Oriente. Um ano depois, talvez não haja melhor demonstração da importância que a democracia tem nas reais motivações de Bush naquela região do que a facilidade com que o “melhor exemplo” foi sacrificado.
Toda a gente sabe que entre as maiores forças de Israel se contam usufruir do apoio da única super-potência, possuir um dos melhores exércitos do mundo e ter um povo com capacidade de sacrifício e resistência, herdeiro da pior catástrofe da história europeia.
Fala-se menos das fraquezas de Israel. No entanto, elas exibem-se claramente na presente guerra.





