[do Público de 26 de Maio]
É um anseio mórbido, como torcer por Leôncio a cada episódio de A Escrava Isaura. Também eu gostaria que se atacassem os clássicos para me poder erguer e, tonitruante, me declarar o último e mais sincero defensor dos clássicos.
Na passada quinta a Casa Fernando Pessoa organizou uma sessão dedicada ao tema “Os Clássicos devem ou não ser estudados na Escola?”. Para discutir o assunto estavam na mesa Vasco Graça Moura, Maria Filomena Mónica, Clara Ferreira Alves — além do moderador Carlos Vaz Marques, o escritor Gonçalo M. Tavares (que não é meu primo) e o editor Guilherme Valente, que também participou vivamente no debate. Todos os oradores, sem excepção, defenderam o dever de se estudar os Clássicos na escola. Diferenças apenas houve de método, ou de definição do conceito de clássico, ou da necessidade de um “cânone” de autores: Vasco Graça Moura abriu uma excepção para o inquilino da casa, Fernando Pessoa, ao passo que Filomena Mónica recusou terminantemente que se ensinassem autores do século XX.
Na sala cheia toda a gente estava a favor dos clássicos; gerou-se o consenso de que o melhor método para ensinar os clássicos era o que cada um defendia, e que o dos outros era provavelmente desastroso.






